Michael Caine apresenta sua geração em documentário

michelMichael Caine é uma unanimidade: já participou de 127 filmes e ganhou dois Oscars. Está escrevendo seu segundo livro e agora se aventura como produtor do documentário “Minha geração”, no qual também é protagonista e narrador. Tendo como pano de fundo suas experiências, o ator, nascido Maurice Joseph Mickelwhite, se torna o anfitrião de uma jornada pelos intensos anos da década de 1960 e início de 1970. Além do filme, dirigido por David Batty, a produção terá uma versão mais longa, com seis capítulos, que será exibida na TV. Depois de ser apresentado no Festival de Veneza, em setembro do ano passado, a estreia em circuito comercial – por enquanto, fora do Brasil – será amanhã, quando ele completa 85 anos.

 

Curioso é que, apesar de ter entrevistado inúmeras celebridades que viveram aquela época, como Paul McCartney, Twiggy e Joan Collins, no documentário só se ouvirão suas vozes, acompanhadas de fotos e vídeos da época. As imagens atuais vão ser aproveitadas nos capítulos para a TV e a explicação foi dada por Caine ao jornal britânico “The Guardian”. Segundo ele, foi para evitar o risco de as pessoas se distraírem com os efeitos da passagem do tempo: “veja como ele está careca!”, ou “puxa, como ela engordou” seriam observações que tirariam o foco do principal. “Minha geração” tem ainda uma preocupação de igualdade entre os gêneros: a equipe é composta de 50% de homens e 50% de mulheres.

 

 

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Ele conta que sua ótima memória ajudou muito na hora de selecionar as histórias a serem contadas. Na sua opinião, os anos 1960 mudaram a sociedade, mas a utilização maciça de drogas teve um efeito devastador naquela geração. Sua experiência limitou-se a usar maconha uma única vez com um resultado que o deixou assustado: riu sem parar durante cinco horas, a ponto de quase ter uma hérnia. Ex-fumante, lembra que foi salvo do vício pelo ator Tony Curtis que, numa festa, jogou seu maço de cigarros na lareira alertando que aquilo o mataria. Caine obedeceu. Continua nos sets e brinca com isso, afirmando que, felizmente para ele, filmes com protagonistas mais velhos e voltados para um público maduro estão na moda. Sem saudosismo, diz que, na juventude, aqueles pareciam ser seus melhores anos, mas que sua vida foi melhorando a cada década. Casado há 45 anos, garante que hoje os netos são sua maior alegria.

 

 

 

Fonte: G1