José Boto revela plano para deixar o Flamengo em 2026

Gilvan de Souza / Flamengo

O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, indicou que sua passagem vitoriosa pelo futebol brasileiro tem data marcada para terminar. Em entrevista concedida ao Canal 11, de Portugal, com exibição prevista para a noite desta sexta-feira, o dirigente revelou que deve cumprir seu vínculo atual com o clube carioca até o encerramento, no fim de 2026, mas que seus planos futuros envolvem um retorno ao futebol do Velho Continente.

A declaração surge em um momento de consolidação do trabalho do português no Rio de Janeiro, após uma temporada de sucesso expressivo. Na prévia da conversa divulgada pela emissora, Boto foi direto ao responder sobre a possibilidade de voltar a trabalhar em seu país de origem. O executivo deixou claro que o objetivo é buscar novos desafios na Europa a partir de 2027.

“Acho que (fico) mais um ano no Brasil e depois vou pensar em voltar a Portugal ou à Europa, para um projeto que me agrade”, afirmou José Boto. O contrato do profissional com o Flamengo termina justamente no final da próxima temporada, o que permitiria sua saída de forma natural e sem entraves contratuais.

Temporada histórica e conquistas

A motivação para um eventual retorno à Europa acontece logo após o diretor vivenciar o que classificou como um ano “perfeito” em 2025. Em sua primeira temporada completa em solo brasileiro, José Boto participou da construção do elenco que dominou o cenário esportivo, empilhando taças relevantes.

Durante a entrevista, o dirigente não escondeu a empolgação com os resultados obtidos dentro de campo. Sob sua gestão no departamento de futebol, o Flamengo conquistou a Copa Libertadores da América e o Campeonato Brasileiro, os dois troféus mais cobiçados do calendário. Além dessas taças, o clube também faturou a Supercopa Rei e o Campeonato Carioca.

Para o português, o feito alcançado pelo Rubro-Negro é uma raridade no futebol moderno. “Foi perfeito ganhar a Libertadores e o Campeonato Brasileiro, algo que não é normal, só aconteceu duas ou três vezes”, analisou Boto, valorizando a dificuldade e a magnitude do trabalho realizado em 2025.

Divergências e permanência garantida

Apesar do sucesso esportivo e da vitrine das conquistas, a trajetória de José Boto no Flamengo enfrentou momentos de turbulência nos bastidores. A permanência do diretor até o fim do contrato em 2026 não foi uma certeza durante todo o período. O dirigente chegou a ficar virtualmente fora do clube em meados de julho, em meio a ruídos internos e divergências políticas.

Um dos pontos centrais do desgaste foi a frustração com o mercado de transferências. Boto demonstrou desânimo após o veto na contratação do irlandês Mikey Johnston, um nome que estava em seu radar para reforçar o elenco. O episódio gerou atrito e colocou em dúvida a continuidade do trabalho do português no Ninho do Urubu.

A situação só foi contornada graças à intervenção direta da alta cúpula do clube. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, agiu para garantir a manutenção do diretor de futebol, superando as divergências políticas que ameaçavam o departamento. Com o respaldo presidencial, Boto seguiu no cargo para concluir a temporada vitoriosa e, agora, projeta seu último ano de contrato antes de buscar um novo projeto agradável na Europa.