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Alta no preço da gasolina derruba renda de motoristas por aplicativos e serviço pode deixar de existir na Paraíba

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A crise econômica tem afetado trabalhadores de todo o Brasil. Entre os mais prejudicados, estão os motoristas de transporte por aplicativo. A ocupação que anos atrás atraía parceiros, atualmente é inviável para muitos e corre o risco de ficar inoperante — ou, pelo menos, de se tornar exclusivo para classes socioeconômicas mais altas.

O alerta foi feito ao Portal Correio por Antônio Santana, um dos diretores da Associação dos Motoristas por Aplicativos Individuais na Paraíba. Segundo ele, o lucro dos trabalhadores do setor caiu pela metade, em comparação ao que se registrava em 2016, quando o serviço chegou ao estado. A situação fez com que pelo menos 40% dos motoristas abandonassem as plataformas e buscassem outra forma de renda.

Antônio Santana estima que a Grande João Pessoa possui cerca de 10 mil motoristas cadastrados em aplicativos de transporte de passageiros, mas só 4 mil costumavam trabalhar todos os dias e tinham o serviço como fonte principal de renda. Agora, com a crise dos combustíveis, quase metade abandonou o ofício. A maioria é formada pelos motoristas que alugavam veículos para poder trabalhar.

“Só está sobrevivendo na função quem tem seu próprio carro. Os que alugam estão desistindo. Quem tem carro próprio pode converter para GNV. Assim, economiza na hora de abastecer e ganha mais autonomia. Por outro lado, os carros alugados só rodam com gasolina e álcool, então, para esses motoristas, a conta tem ficado muito cara, praticamente impossível de pagar”.

Gasolina compromete boa parte da renda familiar do brasileiro (Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas)

Clientes sofrem com tarifas altas

Conforme Antônio Santana, os motoristas que continuam atuando na Grande João Pessoa acabam procurando alternativas para obter mais ganhos e otimizar o tempo de trabalho. A estratégia nem sempre é boa para os clientes.

“Os motoristas buscam trabalhar em horários com valores mais altos, de acordo com o pico de demanda. E procuram também viagens que deem retorno. Se o local de destino não é movimentado, o motorista desiste, pois sabe que, após deixar o cliente, vai precisar percorrer uma distância grande até uma área com ofertas de viagens”, justifica o representante da categoria.

Usuários dos serviços já sentem na pele as consequências da crise. Não são raros os relatos de clientes que enfrentam dificuldades na hora de pedir uma viagem. Demora em ter a corrida aceita e cancelamentos são cada vez mais frequentes. Houve também, embora mais raros, casos em que os motoristas cancelaram a viagem porque o pagamento não seria em dinheiro.

“É comum recebermos mensagens dos clientes dizendo: por favor, não cancele”, relata Antônio Santana.

Para o representante da Associação dos Motoristas por Aplicativos Individuais na Paraíba, se não houver uma rápida retomada econômica, o serviço pode acabar ou ficar muito restrito.

“O serviço pode acabar. Ou vai ficar muito caro para o consumidor comum e só quem tem mais condições financeiras terá condições de bancar. É um risco real que as pessoas acabem procurando outras alternativas, como ir a pé ou de bicicleta, por exemplo”, alerta.

“A culpa é de tantos aumentos consecutivos. O que a Petrobras está fazendo com essa política de preços dos combustíveis é terrível. E o pior é querer colocar a culpa nos Estados, no ICMS. Eles estão querendo transferir a responsabilidade”, complementa o motorista.

Segurança

Outra questão que desencoraja motoristas é a vulnerabilidade a casos de violência. Antônio Santana admite que os trabalhadores têm receio de aceitar viagens para áreas consideradas violentas.

“Infelizmente, acabamos fazendo uma triagem. Dependendo do local, se o cliente for homem, a gente já não aceita. Se a solicitação partir de uma mulher, mas o passageiro for homem também pensamos duas vezes. E mesmo que o cliente seja uma mulher, ou um casal, costumamos observar o local. Se algo parecer estranho, nem paramos, passamos direto”, revela.

Na tentativa de se sentirem mais seguros, grupos de motoristas — por iniciativa própria — recorrem a aplicativos que transformam smartphones em rádios comunicadores. Os trabalhadores também compartilham localização em tempo real. Assim, quando um motorista está em perigo, colegas ficam sabendo da situação rapidamente e acionam a polícia.

Portal Correio