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Redes sociais promovem incentivo à leitura na PB

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O universo da escrita e suas interpretações através da leitura é algo que faz de nós, seres humanos, indivíduos capazes de transcender conhecimentos para além de nossas próprias existências no tempo e no espaço. É algo que envolve diversos aspectos que vivenciamos e provoca variados sentimentos. Não é à toa que se convenciona separar a história da pré-história a partir do momento em que o homem foi capaz de escrever, mesmo que, a princípio, de forma rudimentar. Desde então, revolucionaram-se as formas de se ensinar, aprender, sentir, debater, criticar, deixar legados.

Devido à sua importância na formação dos cidadãos, o índice de alfabetização é, por exemplo, um dos principais indicadores de desenvolvimento de qualquer país do mundo, sendo ainda um desafio a ser enfrentado, sempre tendo que se adaptar às mutações da civilização. Evoluindo junto às transformações sociais em diferentes períodos da humanidade, a escrita chega à contemporaneidade com novas formas de ser apreciada e oferecendo estímulos inéditos à população.

Dentre as recentes maneiras de tocar o leitor, que agora é um espectador e agente multimídia, saltam aos olhos os suportes digitais, alguns deles aptos até para substituir meios físicos e mais antigos como livros e revistas, preservando-se os conteúdos. Nessa esfera, mais especificamente através das redes sociais, indivíduos que seriam distantes em outras épocas vêm a se juntar para dividir experiências e debater assuntos em comum. O gosto pela leitura é algo que pode aproximar personalidades e gerar interesses em graus variados. Grupos e pessoas se transformam em perfis virtuais que têm capacidade de atrair quem já está habituado a ler, desde criança, assim como seduzir quem não tenha proximidade com esse âmbito, independentemente da faixa etária.

Na Paraíba, dentre outros perfis e projetos existentes, destacamos nesta matéria dois personagens que promovem o incentivo à leitura por meio de redes sociais, cada um em sua esfera particular e com público-alvo específico, mas ambos dentro de um mesmo panorama, vendo-se um contexto mais amplo.

Um deles é a garota Lívia Leal, de oito anos, mais conhecida na web como ‘Livoca’. Estudante o 3º ano do ensino fundamental, ela transparece através do canal ‘Dicas da Livoca’, no YouTube, toda a paixão dela pela leitura, despertada desde muito cedo, segundo ela, a partir do estímulo da mãe, Cristiane.

“Desde pequenininha a mamãe ficava lendo para mim. Aí quando eu fui crescendo eu fiquei vendo vários livros e comecei a gostar muito”, diz a menina, que revela que tem como autores preferidos Ziraldo e Maurício de Sousa, criadores, respectivamente de ‘O Menino Maluquinho’ e a ‘Turma da Mônica’, clássicos infantis.

Livoca e sua mãe contam como surgiu a ideia do canal e falam sobre as ações que promovem de incentivo à prática da leitura. Confira o vídeo abaixo:

Como vimos no caso de Lívia, após o ‘empurrão’ inicial da mãe, hoje o contato dela com o mundo da leitura se dá de forma muito natural e, como relatado por Cristiane, a filha não teve dificuldade em aprender a ler e escreve as palavras com a grafia correta.

“Os benefícios para a educação ela está colhendo alguns agora e outros com certeza vão ser para o futuro”, projeta a mãe da garota.

Segundo a pedagoga Clara Lúcio, em conversa com o Portal Correio, a criança pode e deve ser estimulada à leitura desde muito cedo:

“Quando bebê, ouvir histórias de familiares ou professores, além de estimular o hábito da leitura, ajuda, por exemplo, a decifrar expressões emocionais, o que reflete na comunicação oral posteriormente. Mais especificamente na escola, a leitura deve ser estimulada desde as séries iniciais (dois anos de idade ou quando a criança entrar na escola). Quanto antes melhor. E deve acontecer diariamente. Quanto mais contato com a leitura, mais facilmente criaremos hábitos leitores. Ter um momento da leitura todos os dias é essencial. Além disso, a criança precisa ter contato com livros na sala de aula. Poder manuseá-los, brincar com eles, abrir, fechar, empilhar (quando pequenas) e futuramente ler com autonomia, sejam as imagens ou os textos também”.

Descobrindo o prazer de ler
Clara reforça a ideia de que a leitura deve ser apresentada desde cedo, tendo assim mais chances de se tornar um hábito prazeroso, mas, ressalta, isso não significa que a criança deva ou precise ser alfabetizada antes dos cinco anos de idade. “Cada faixa etária tem uma etapa importante desse processo sendo desenvolvida e isso deve ser respeitado”, declara.

Ela oferece dicas que podem ser seguidas para que a leitura seja um hábito atrativo desde os primeiros contatos. Nós enumeramos algumas delas abaixo, nas palavras da pedagoga:

1 – Escolher bem os livros adequados a cada faixa etária, variar os gêneros, a forma de ler, descobrir o interesse da criança;

2 – Ler histórias para as crianças pode ser um ótimo ponto de partida. Quando falo ler, é mais que abrir o livro e decodificar a língua escrita. É expressar com o tom de voz o que as personagens estão falando, é fazer pausas para interagir com as crianças, fazer perguntas que as façam pensar sobre a história, deixar que as crianças imaginem o que irá acontecer antes de continuar a leitura, “pensar em voz alta”…;

3 – Precisamos respeitar o tempo ou momento da criança. De repente, você quer ler para ela, mas ela não quer ler ou ouvir uma história naquela hora. Respeite! Chame em outro momento;

4 – Leia em voz alta sem esperar que ela esteja ali parada olhando com toda atenção para você. Se a história interessar, ela vai voltar pra ouvir ou você vai ver olhos atentos ao longe.

Desafios e novas realidades
Clara Lúcio diz que é importante que a criança tenha diversos tipos de contato com a leitura. Ela precisa ler silenciosamente para si, ler com e para outras crianças e ler em voz alta. Conforme explica a pedagoga, é nesse terceiro momento que problemas podem ser diagnosticados pelos educadores.

“O professor consegue identificar dificuldades na habilidade de leitura dos alunos quando eles leem em voz alta para o professor e quando respondem perguntas de compreensão de texto sobre o que foi lido (não podemos esquecer que ler é mais que decodificar. É compreender o que se lê também). O grande desafio para nós pedagogos é primeiramente formar leitores, crianças que gostem de ler, de pesquisar. Isso no sentido amplo da leitura: ler e entender o que se lê. Além disso, respeitar cada etapa, o tempo da criança, encontrar estratégias para cada especificidade e dificuldade, fazer as crianças avançarem”, explana.

Outro desafio claro para a educação nos dias de hoje é se encontrar um ponto de conciliação entre os meios tradicionais, físicos, como livros, jornais e revistas com os novos suportes tecnológicos, presentes de maneira cada vez mais precoce em nossas vidas.

“A tecnologia vem para acrescentar. Existem sites e aplicativos com ótimas atividades que estimulam a leitura. Livros digitais, jogos sobre histórias em áudio ou escritas, etc. As crianças são nativas digitais e nós não podemos negar essa realidade. Usar isso em favor de seu desenvolvimento é essencial. Não acredito que isso exclui a leitura de livros físicos, a ida à biblioteca… Sendo assim, devemos unir as novas tecnologias ao que já fazemos em casa e nas salas de aula. O que importa no fim é estimular a leitura!”, resume Clara.

As redes sociais, temática abordada nesta reportagem, naturalmente se enquadram nesse novo panorama:

“À medida que as crianças vão crescendo, vão tendo mais contato autônomo com redes sociais e a internet de um modo geral. Se elas forem, desde cedo, estimuladas a pensar sobre o que leem, as diversas fontes de leitura serão importantes para a formação leitora. Na internet, recebemos diversas informações e de uma forma muito fácil. Sempre estamos lendo na internet e podemos escolher o que ler. Lemos aquilo que nos interessa, o que nos chama atenção. Essa liberdade de procurar nossas preferências pode ser um ponto positivo ao estímulo à leitura. A internet pode assumir um papel negativo nesse processo se outras formas forem anuladas ou deixadas em segundo plano. O que vejo é que as crianças estão sendo pouco estimuladas a ler em casa. Elas passam muito mais tempo jogando no celular, tablet e videogame, ou assistindo vídeos, do que lendo livros. Elas passam horas conversando sobre jogos e vídeos do YouTube, mas pouco falam sobre livros lidos” .

Um hábito para todas as idades
Na fase adulta, a leitura segue sendo de grande relevância. Em algumas profissões, ler constantemente é algo praticamente imprescindível. É o caso do advogado criminalista Eduardo Luna:

“Eu trabalho com a argumentação. A literatura ajuda no trabalho de convencer julgadores. Sempre associo a excelência do meu trabalho a literaturas paralelas ao universo jurídico”, revela Eduardo.

O advogado também procura atuar no incentivo à leitura através das redes sociais. Ele é dono de uma página no Instagram chamada de ‘Inteligências Literárias’.

“Eu sou um apreciador da literatura nacional, dos autores clássicos brasileiros e, como uma forma de homenageá-los, entendi por bem trazer alguns fragmentos dessas minhas leituras para as redes sociais”, conta.

Confira vídeo de entrevista com Eduardo Luna:

Fazendo da leitura uma rotina
Como ficou claro anteriormente, a pedagoga Clara Lúcio evidencia que fazer da leitura uma rotina será mais fácil quando isso acontecer desde pequeno. Porém, caso não houver esse estímulo desde criança, será mais difícil, mas não impossível. Há outras formas de se estimular a prática e torná-la mais presente no dia a dia. Destacamos abaixo mais algumas dicas da profissional de educação:

1 – Colocar uma meta de leitura diária (número de páginas, capítulos ou de tempo) é uma boa estratégia;

2 – Ler mais de um livro ao mesmo tempo também pode ajudar, dependendo da faixa etária;

3 – Para jovens e adultos que não possuem o hábito de ler, o primeiro passo é encontrar aquilo que gosta de ler. Com que gênero me identifico? Que tipo de livro me faz sentir vontade de ler um pouco mais? O que gosto de sentir quando leio?;

4 – Ir a livrarias e bibliotecas ajuda. Ter opções diversas para folhear, experimentar e escolher é essencial;

5 – Conversar sobre livros é uma ótima ajuda a criar e estimular o hábito à leitura. À medida que conversamos sobre o que estamos lendo, refletimos sobre e isso faz parte do ato de ler. É isso que fazemos na escola e isso pode ser levado para fora do ambiente escolar. Essa interação amplia nosso repertório e nos estimula a ler mais para ter o que compartilhar;

6 – Não desistir. É como se exercitar, mudar a alimentação.

portalcorreio